O Produto Que Você Vende Não É Sempre o Produto Que Sustenta Sua Empresa

Toda empresa deveria ser capaz de responder, com precisão, a uma pergunta simples: onde exatamente está concentrado o meu lucro? A maioria dos empresários responde essa pergunta pela receita que mais aparece no faturamento, não pela margem que efetivamente sustenta o negócio. É exatamente aí que reside um dos erros de gestão mais silenciosos e mais caros.

A Decolar constrói sua operação sobre essa distinção. A passagem aérea, o produto que dá visibilidade à marca e atrai o cliente, opera com margens baixas ou negativas. A empresa aceita essa perda deliberada porque sabe, com precisão, onde está o lucro real: na venda cruzada de hotéis, pacotes, seguros e serviços financeiros, onde as margens são substancialmente superiores. O voo não é o negócio. O voo é a porta de entrada para o negócio.

Essa lógica exige uma capacidade que grande parte das empresas brasileiras não desenvolve: separar o produto de atração do produto de monetização, e tratar cada um com uma estratégia financeira distinta. Sem essa separação analítica, o empresário confunde volume com lucratividade e comete o erro mais comum da gestão despreparada, que é otimizar aquilo que gera mais receita, quando deveria estar otimizando aquilo que gera mais margem.

Peter Drucker já alertava que a maior parte dos custos e receitas de uma empresa se concentra em uma pequena fração das suas atividades, e que a gestão eficiente depende de identificar exatamente onde essa concentração acontece. A Decolar sabe disso com exatidão. Ela monitora o cross selling, a retenção do capital de giro no modelo merchant e o parcelamento com juros como fontes deliberadas de rentabilidade, enquanto trata a passagem aérea como custo de aquisição de cliente, não como fonte de lucro.

O modelo asset-light da empresa reforça outro princípio de gestão frequentemente ignorado: nem toda expansão exige mais ativos. Muitos empresários acreditam que crescer significa comprar mais estrutura, contratar mais gente, abrir mais unidades. A Decolar movimenta bilhões em reservas sem possuir um único avião ou hotel, porque investiu em tecnologia e em inteligência de intermediação, não em ativos físicos. Crescer com estrutura leve exige disciplina de processo bem maior do que crescer empilhando ativos, porque a margem de erro operacional é menor e a dependência de sistemas bem desenhados é total.

A entrada da empresa no setor financeiro, oferecendo parcelamento e capturando juros sobre suas próprias vendas, mostra ainda outra camada de sofisticação: a monetização não termina na venda, ela pode se estender ao financiamento dessa venda. Esse tipo de movimento só é possível para empresas que já dominam profundamente a jornada do cliente e sabem, etapa por etapa, onde cada real de margem pode ser capturado.

A crise da pandemia testou essa arquitetura de negócio e revelou sua resiliência: por não depender de ativos físicos pesados, a Decolar atravessou o período crítico com uma flexibilidade que empresas com estrutura pesada simplesmente não têm. Isso não foi sorte. Foi consequência direta de um modelo desenhado com essa lógica desde a origem.

A pergunta que fica para qualquer empresário é desconfortavelmente simples: você sabe, com a mesma precisão da Decolar, qual produto ou serviço da sua empresa realmente sustenta sua margem, e qual apenas movimenta faturamento sem gerar lucro proporcional?

Khellen Kastellarz é consultora e mentora empresarial especializada em eficiência operacional, desenvolvimento de equipes e construção de empresas que crescem com consistência, sem depender da presença constante do dono.

📧 [email protected] 📱 (48) 99663-4242 🌐 khellenkastellarz.com

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